Ontem estava conversando com uma colega de profissão e estávamos debatendo a qualidade das entrevistas em profundidade realizadas por alguns profissionais. Neste mercado de pesquisa nós temos contatos com diversos colegas, fazemos parte de equipes diferentes, analisamos bastante conteúdo, portanto, temos a chance de conhecer o trabalho de diversas pessoas. Um dos aspectos que me chama a atenção é a ansiedade de alguns entrevistadores. Quando entrevistamos participantes que falam pouco, a ansiedade tende a aumentar. Com isso, o entrevistador tende a dar alternativas de respostas para o entrevistado, fazer perguntas fechadas, fazer várias perguntas numa mesma pergunta, falar mais que o entrevistado e ficar muito preso ao roteiro, transformando-o num questionário. Tudo isso pode prejudicar os resultados da análise uma vez que o entrevistador exerce grande influência nas respostas e pode deixar a entrevista cansativa.
Pensando nisto, listei algumas dicas que podem auxiliar na hora de fazer uma entrevista em profundidade, principalmente para aqueles que estão iniciando:
1- Ter um bom roteiro: o roteiro precisa ser objetivo, com perguntas-chaves abertas e tem que oferecer espaço para o entrevistado explorar os conteúdos das respostas dos participantes. O roteiro tem que conter a ideia central do que se quer investigar e não uma grande quantidade de perguntas que deixa o entrevistador perdido e ansioso. Com isso, o roteiro se transformará em um questionário e a entrevista ficará repetitiva, demorada e cansativa. É muito importante estudar o roteiro antes das entrevistas.
2- Check list: fazer um check list de todo material necessário para as entrevistas e deixá-lo organizado um dia antes para não haver imprevistos.
3- Confirmar as entrevistas: confirmar as entrevistas antes de se deslocar, confirmar endereço e sempre ter em mãos um telefone de contato do entrevistado.
4- Tempo: entrevistas muito longas tendem a deixar o participante cansado, inquieto, fazendo com que ele perca a qualidade das respostas. Geralmente os assuntos mais importantes estão do meio para o final do roteiro. Portanto, se for muito demorada, quando nós chegarmos nestes assuntos centrais o entrevistado estará sem paciência para responder. O ideal de tempo fica em torno de 40min a 1h30 de entrevista. Quando a entrevista é realizada no local de trabalho do participante, ele tende a apressar ainda mais as respostas e a qualidade pode ficar prejudicada, logo, é importante ter ainda mais atenção ao tempo, nestes casos.
5- Perguntas abertas e fechadas: quanto mais perguntas abertas forem feitas, melhor. Desta forma o entrevistado terá mais autonomia de resposta e podemos colher materiais ricos para análise. Quando fazemos perguntas fechadas, nós estamos conduzindo as respostas. Por exemplo, se eu perguntar se o dia está quente ou frio, eu terei essas duas opções de respostas. Diferente se eu perguntar como está o dia, a pessoa terá mais opções de respostas e o entrevistador terá mais opções para aprofundar.
6- Fazer uma pergunta por vez: é preciso ter cuidado para perguntar uma coisa de cada vez, assim o participante ficará menos confuso. É comum ver várias perguntas numa só. Exemplo: Como você conheceu essa marca, o que achou dela e o que você acha da sua logomarca? O entrevistado pode resumir muito a resposta e esquecer algum ponto da pergunta. É melhor explorar um ponto por vez.
7- Controlar a ansiedade: o silêncio deixa muitas pessoas ansiosa. Então, aqueles participantes que falam pouco costumam deixar os entrevistadores ansiosos, fazendo com que eles comecem a dar opções de respostas para o entrevistado. Isto acontece com muita frequência e não só quando estamos diante de participantes monossilábicos. Quando lemos uma transcrição, podemos observar bem isso. Temos que ter muito cuidado pois desta forma estamos induzindo as respostas e a análise pode ficar tendenciosa. Além disso, é preciso paciência com os entrevistados prolixos e ficar atento para não perder muito tempo da entrevista com assuntos fora do objetivo da pesquisa. Com delicadeza, devemos conduzir o entrevistado de volta para o assunto foco.
8- Ambiente da entrevista: sempre que possível, buscar ambientes tranquilos e com pouco interferência para não distrair o entrevistado e a qualidade do áudio ou filmagem, se forem feitas, serem preservadas.
Boa entrevista!!!
Mariana Ferreira - Diretora da FTM Pesquisa





“Muitas vezes o fato de não ser um cliente verdadeiramente oculto dificultava a busca dos resultados reais. Por isso passamos a contratar os serviços de uma agência, que pudesse trazer uma opinião de fora da empresa para avaliar nosso atendimento. Um dos grandes desafios no setor de franquia é relatar ao franqueado o seu desempenho e, ao trazer uma avaliação de alguém exterior a estes processos, é mais fácil compreender seus pontos fortes e fracos”, acredita Cassiano Ximenes, Franqueador Máster da Contours, em entrevista ao portal.